Mulheres estão mais determinadas a denunciar agressores e a solicitar medidas protetivas

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Elas estão mais intolerantes à violência e buscam soluções definitivas para conflitos. “Essa é uma mudança cultural bastante positiva”, afirma delegada Ana Elisa Gomes Martins

As mulheres denunciam mais seus agressores e solicitando medidas protetivas do estado. A afirmação é da delegada titular da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam Centro), Ana Elisa Gomes Martins, que avalia como positiva a mudança de postura das mulheres que, segundo explica, estão mais intolerantes às agressões e buscam soluções definitivas para os conflitos. “Podemos observar essa evolução cultural que ocorre naturalmente, de tanto se discutir o assunto e se divulgar os serviços de proteção”, avalia a delegada.

De acordo com Ana Elisa, embora os registros de ocorrências de violência doméstica tenham praticamente se mantido nos últimos anos, houve um aumento expressivo no número de solicitações de medidas protetivas encaminhadas pelas vítimas ao judiciário por meio da Delegacia da Mulher. Segundo ela, em 2014, foram 368 solicitações. Em 2015, esse número quase dobrou, chegando a 656. Já em 2016, foram 1.250 solicitações de medidas protetivas contra agressores só em Goiânia.

“Isso demonstra que, além de desejarem ver seus agressores processados, as mulheres vítimas de violência doméstica solicitam que se afastem do lar, sejam proibidos de se aproximar delas ou ainda de entrar em contato”, afirma a delegada da Deam Centro, há cinco anos no comando daquela especializada. Conforme ressalta, em 2014, foram 3.200 ocorrências registradas na capital. Em 2015 e 2016, esse número chegou a 3.800 casos de registros de violência doméstica. Ana Elisa observa, ainda, que só nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, cerca de 600 ocorrências foram registradas na capital.

“A evolução desse número mostra a mudança na postura da mulher que não espera mais o limite, não tolera, por exemplo, até o primeiro tapa, ou a primeira surra, duas ou três”, acentuou Ana Elisa. O que a equipe da Deam tem percebido é que a mulher não tem tolerado mais qualquer tipo de agressão. A delegada ressalta que a maioria dos casos de violência doméstica trata-se de violência psicológica, como as agressões verbais, as ameaças, humilhações e outras.

Ela destacou que o trabalho da equipe especializada no atendimento à mulher vítima de violência é árduo, uma vez que toda a proatividade vai depender quase que exclusivamente da atitude da mulher em fazer a denúncia ou representar contra seu agressor. “É um crime que acontece entre quatro paredes, dentro dos lares, e não há como colocarmos uma viatura em frente à casa de cada vítima ou um policial vigiando; é preciso que a mulher tome a atitude de buscar seus direitos e de denunciar o agressor”, diz a delegada titular da Deam Centro.

Segundo analisa, as causas da violência contra a mulher têm suas origens na cultura. “Somos um país extremamente machista, onde as mulheres não têm direito ou têm muito pouco direito; elas valem menos que os homens, têm menos importância que os homens em todos os setores; na família e no mercado de trabalho”, lembra a delegada Ana Elisa, para quem há, também, poucas mulheres ocupando espaços de poder.

Delegacias

Ana Elisa ressalta que algumas pesquisas apontam que apenas 10 a 15% dos casos de violência doméstica chegam a ser notificados aos organismos de segurança. Que nesse contexto, as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher têm um papel fundamental, no sentido de dar às vítimas um atendimento de qualidade.

O estado de Goiás é um dos poucos estados brasileiros que tem uma Delegacia da Mulher funciona 24 horas. “A gente sabe que esse tipo de crime acontece na maioria das vezes à noite ou nos fins de semana e é importante que essa vítima tenha acesso ao serviço policial na situação de emergência”, acentuou a titular da Deam Centro. Em todo o estado há mais de 20 delegacias da Mulher, na região metropolitana e em cidades do interior.

Para a titular da Deam Centro, Ana Elisa Gomes Martins, é preciso valorizar o trabalho dos policiais especializados no atendimento à mulher, capacitados e preparados. De acordo com ela, o aumento das solicitações de medidas preventivas se deve, principalmente ao trabalho elogiável da Deam e demais órgãos responsáveis pelo combate a esse tipo de crime. “É claro que se deve ao acesso à informação, mas também ao comprometimento daqueles que estão em contato direto com a vítima, estabelecendo uma relação de confiança”, garantiu.

Além do trabalho policial, Ana Elisa vê como crucial para enfrentar o grande desafio da mudança cultural, que para ela é sem dúvida o fator preponderante para a redução da violência doméstica, a manutenção das políticas públicas sociais de valorização da mulher, de divulgação de informações e criação de oportunidades de empregos, entre outras. Segundo ela, o estado de Goiás já é referência nessas políticas, o que contribui determinantemente na mitigação da violência doméstica.

FOTO: DIVULGAÇÃO

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