Historiador é preso suspeito de furtar centenas de documentos do Arquivo Histórico de Goiás

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Professor cursava doutorado na Universidade Federal de Goiás, mas foi jubilado em 2016 por não cumprir prazos acadêmicos. Funcionária do acervo acredita que ele colocava documentos dos séculos XVII e XIX em uma mochila para cometer o crime. Ao todo, foram devolvidas mais de 10 mil páginas

A Polícia Civil, por meio do 1º Distrito Policial, formalizou na terça-feira (16/05) a entrega de centenas de documentos dos séculos XVII e XIX que foram subtraídos do Arquivo Histórico de Goiás, e que estavam sob a posse do historiador Tayrone Zuliani de Macedo, de 41 anos. Ao todo, foram devolvidas mais de 10 mil páginas de documentos.

O historiador é professor de história na rede municipal de Goiânia, e desenvolvia uma tese de doutorado pela Universidade Federal de Goiás, que tinha como linha de investigação a criminalidade no Planalto Central. A polícia acredita que os documentos foram subtraídos durante o período em que ele frequentou o local, entre os anos de 2005 e 2012.

Segundo o delegado Luciano Carvalho, as investigações tiveram início em janeiro, após recebimento de denúncia anônima de que o historiador ia ao local para pesquisar a história da polícia no Estado de Goiás, e levava os documentos para sua residência, no Centro de Goiânia.

“Ele afirmou que ia devolver os documentos, mas acreditamos que ele tinha interesse de exclusividade sobre as informações contidas naquelas páginas, pois há outras formas de reprodução das informações, como fazer cópias ou fotografar, e não levar para casa, o que é proibido”, disse o delegado.

Os documentos foram recuperados ainda no mês de janeiro. Porém, só foram devolvidos hoje pela manhã ao representante do Arquivo Histórico de Goiás, professor Vero Aldo Campelo, após o término das investigações.

O secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Ricardo Balestreri, participou da devolução e afirmou que a falta de documentos históricos significa uma perda do contexto para a história de qualquer coletividade.

“Sempre que perdemos arquivos históricos, perdemos também referenciais de construção da sociedade em que vivemos. Seria um impacto enorme na memória do povo goiano. É muito importante que estes documentos voltem para o Arquivo Histórico de Goiás”, disse Balestreri.

A auxiliar administrativa Sueli Aparecida Marques, que trabalha no acervo, disse que o procedimento no local é buscar os documentos e entregar às pessoas que os solicitam. “A pessoa faz a análise em uma sala do arquivo e a própria pessoa guarda o documento após terminar a leitura. Acredito que, nesse momento, ele aproveitava uma brecha e desviava os documentos, colocando-os dentro da sua mochila”.

A servidora ainda afirmou que os documentos são de valor inestimável, e que a história de Goiás poderia sofrer uma perda irreparável, já que os documentos não possuem cópias nem foram digitalizados.

A importância da denúncia para a historiografia de Goiás foi observada pelo agente Bruno Garajau, que também é historiador e percebeu a importância do resgate dos documentos.

Durante a devolução dos documentos, Bruno foi parabenizado pelo secretário Ricardo Balestreri e pelo delegado geral da Polícia Civil, Álvaro Cássio.

FOTOS: JOTA EURÍPEDES

 

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